#Body and Soul

AUTOR: @bodyandsoul_anamachado
EMAIL: margarida.machado01@gmail.com

 

NOTA @missFIT.insta:

[ Emocionei-me…

Vocês já sabem que eu sou uma chorona, mas confesso-vos que fiquei emocionada com esta partilha da Ana Margarida…

É impressionante a maturidade e a coragem desta “miúda” de 23 anos, que passou por um processo de evolução fantástico, que a transformou nesta mulher de garra que vocês vão descobrir…

Obrigada pelo teu testemunho, Ana!

Chamaste-me a atenção para algumas coisas tão complicadas, como conseguir um equilíbrio entre o “corpo e a mente”…

Parabéns por todas as tuas conquistas!

O Blog é todo teu! ]

 

Um passado nada “FIT”

Sempre me conheci “gordinha”, desde que me lembro de existir.

A tendência que tenho para o excesso de peso é inegável e há muito tempo que sonhava um dia poder emagrecer.

A verdade é que nunca me senti verdadeiramente feliz com o meu aspeto físico, o que teve fortes repercussões na minha autoestima e autoconfiança, uma vez que vivia com inúmeros complexos e que sentia muita vergonha de tudo o que envolvesse uma maior exposição corporal…

[ o aproximar do Verão, para mim, era um pesadelo…]

No entanto, acomodava-me com a ideia de que era assim, por motivos genéticos, e que sempre iria ser…

[ hoje sei que estava profundamente enganada! ]

 

Foram algumas as tentativas que fiz para emagrecer, com sucesso momentâneo, mas acabei sempre por recuperar o peso perdido (e mais ainda…).

Tinha 17 anos e 74kg quando decidi perder peso pela primeira vez.

Com mudanças na alimentação e caminhadas, cheguei aos 54kg.

Tendo chegado ao peso que queria, voltei aos hábitos antigos…

Para além disto, durante 3 anos fiz ingestão diária de corticoides para tratamento de problemas respiratórios e entre 2010 e 2015 engordei 31kg.

Passei dos 74kg para os 54kg e dos 54kg para os 85kg.

 

Hoje, consigo compreender o motivo pelo qual me desleixei.

A verdade é que encarei aquele período da minha vida como uma “dieta” e não tinha descoberto ainda a real paixão que hoje sinto pelo exercício físico.

Não me apaixonei por aquele estilo de vida, vivi-o com algum sacrifício e quando atingi o peso desejado, deixei tudo aquilo para trás…

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O “clique” decisivo

Os hábitos antigos significavam uma alimentação pouco cuidada e total sedentarismo.

Passei mais de um ano sem subir a uma balança e, quando o fiz, o choque foi grande…

Estava com 22 anos, 85kg para 1.65m de altura, o que perfazia um IMC 31 (obesidade grau 1) e um corpo que eu já não reconhecia como meu.

Sentia uma desilusão imensa comigo própria por ter voltado a engordar, doía muito ver fotos antigas da época em que tinha emagrecido, custava (tanto!) ver aquela peça de roupa guardada no armário que tão bem me ficava e que tinha deixado de servir. Sobretudo, doía sentir tudo isto e não ter força para mudar.

Eu nem sempre tive a força que hoje tenho. Odiava o meu corpo, vivia atormentada com ele e nem assim fazia nada para o mudar, até ao dia em que decidi que, a partir dali, iria ser a sério…

Foi então que, no final de Maio de 2015, decidi colocar um ponto final no estilo de vida que seguia, ao invés de fazer “dieta” temporariamente.

Pela primeira vez, ia fazer praia com as crianças da Creche onde trabalho.

De imediato, por razões óbvias, pus de parte a ideia de usar bikini. Decidi, portanto, ir comprar um fato de banho…

Experimentei várias cores do mesmo modelo e optei pelo preto pois todos os outros realçavam ainda mais a minha gordura.

Posso dizer que jamais esquecerei aquilo que senti, ao olhar-me ao espelho do provador, dentro de um fato de banho tamanho 44. As palavras que ecoaram na minha cabeça foram exatamente estas: “Estou transformada num monte de gordura”.

E, nesse momento, chorei…

Chorei de tristeza, de raiva, de falta de amor-próprio.

Eu não queria ser assim…

 

A grande reviravolta…
Apesar de já anteriormente ter sentido vontade de mudar, não tenho a menor dúvida de que este episódio foi determinante para que o tal “clique” acontecesse e para que eu decidisse que tinha (mesmo!) de mudar.

Através da reeducação alimentar e do exercício físico (inicialmente com caminhadas e, posteriormente, no ginásio), perdi 32kg.

Fui e continuo a ser acompanhada por um nutricionista no Hospital e por um instrutor no ginásio.

Sei que nem sempre é fácil, mas quando existe essa possibilidade, penso que ter o apoio de profissionais faz toda a diferença.

Obviamente, a vontade de mudar tem de ser nossa, mas esse acompanhamento é uma forma de nos sentirmos mais orientados e motivados.

Perguntam-me frequentemente se a minha perda de peso teve alguma “ajuda” extra, mas a verdade é esta: não recorri, NUNCA, a medicamentos, cirurgias ou tratamentos estéticos para emagrecer, pois acredito que nesta jornada é essencial construir os alicerces necessários para uma mudança REAL e sustentável ao longo da vida.

Para tal, é imprescindível que exista uma alteração de hábitos de vida, ao nível da alimentação e da atividade física.

Relativamente à alimentação, aprendi a gostar de inúmeros alimentos que antigamente não incluía nas minhas refeições.

Passei a privilegiar os legumes, as carnes brancas, ovos e todo o tipo de peixe e substituí os hidratos de carbono simples pelos complexos. Inicialmente, o que mais me custou foi mesmo evitar os doces e bolos. Sempre fui muito gulosa, desde pequenina, e todo o tipo de doces eram uma perdição para mim… principalmente se tivessem chocolate!

Não foi de todo fácil, mas aprendi a gerir isso e atualmente não me privo quando realmente me apetece!

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Em relação ao exercício físico, se há um ano atrás alguém me dissesse que hoje em dia eu iria ser uma apaixonada por praticá-lo e que iria treinar 6 vezes por semana, eu ter-me-ia rido na cara dessa pessoa e teria pensado: “endoideceu!”.

A verdade é que, durante anos e anos, a minha desculpa foi “não tenho tempo”.

Hoje em dia, com muito menos tempo disponível do que antigamente, eu arranjo-o.

Arranjo tempo para treinar, para fazer o melhor por mim e para descansar também.

E não é uma obrigação, é uma escolha.

Uma escolha que faço com prazer, que faço com paixão… porque no dia em que virar obrigação, já deixou de fazer sentido.

 

A minha vida deu uma volta de 180 graus e o exercício físico assumiu, sem dúvida, um papel crucial nessa mudança.

Quando eu digo que era a pessoa mais sedentária que podem imaginar, é mesmo verdade.

Eu era aquela pessoa que inventava sempre desculpas para não fazer as aulas de Educação Física.

Aquela pessoa que fugia a sete pés do desporto e para quem qualquer atividade que exigisse mexer-se um pouco mais representava um verdadeiro suplício.

No entanto, dei o primeiro passo para alterar o meu sedentarismo e desde aí nunca mais parei.

As primeiras caminhadas custaram horrores.

Custava-me a respirar.

Dava meia dúzia de passos e tinha de fazer uma pausa.

Doíam-me os joelhos, as costas… doía-me todo o corpo, por fora e, sobretudo, por dentro, por me ter deixado chegar àquele ponto com 22 anos de idade.

Doía mas eu insistia, um bocadinho mais todos os dias.

Mais tarde, entrei para o ginásio e fui gostando cada vez mais de o frequentar.

Quando comecei a dedicar-me à musculação, aí sim, apaixonei-me mesmo. Apaixonei-me por me desafiar constantemente, por ver o meu corpo a mudar e por tudo aquilo que passou a representar para mim: uma terapia, o meu escape diário, o meu momento de paz.

Hoje, já não sei viver sem praticar exercício físico.

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Em menos de 5 meses, com 32kg a menos, passei de um XL para um XS, de um 44 para um 34/36.

Os meus problemas respiratórios praticamente desapareceram e as minhas análises nunca estiveram tão boas.

Deixei de ter colesterol e triglicéridos elevados, um problema que me atormentava há anos…

Nunca mais tive episódios de falta de ar e passei a sentir-me com mais energia do que nunca.

Aprendi a comer bem, apaixonei-me a sério por esta jornada e o amor pelo fitness foi ficando cada vez mais forte.

 

Se foi fácil?

Não, de todo!

Enfrentei várias (grandes) dificuldades, tanto a nível físico como psicológico, apesar de as físicas terem sido mais “fáceis” de ultrapassar.

A nível psicológico, durante a perda de peso, tive de aprender a lidar com o meu medo de falhar, de não ser capaz de continuar,… enfim, tive de aprender a acreditar mais em mim.

Aprendi, acreditei e consegui.

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A luta pelo equilíbrio

No entanto, a minha perda de peso foi estranhamente rápida e os meus níveis de massa gorda baixaram demasiado.

A balança acusava isso e o espelho também não mentia…

Insatisfeita que sou por natureza, acabei por perceber que o meu caminho também não era por ali.

Queria um corpo com formas, “curvas”.

Porém, para uma pessoa que sempre teve excesso de peso e que tanto lutou para o perder, não é fácil aceitar a ideia de ver os números na balança a aumentar… mas aceitei.

Aceitei e confiei em quem me podia ajudar e foi o melhor que eu podia ter feito. Pelo caminho, confiei cada vez mais em mim.

 

Atualmente, ver o peso a subir e o corpo a ganhar formas tem sido um orgulho para mim.

Neste momento, devido ao aumento da massa muscular, estou na casa dos 55kg. Foi uma grande mudança sob todos os aspetos, não só a nível físico, como também psicológico.

Após a perda de peso, tive de lutar contra o medo de engordar de novo e posso afirmar que a minha maior dificuldade foi encontrar o equilíbrio entre os dois extremos opostos.

Conheci as duas faces da mesma moeda: o excesso de peso e a posterior magreza, o que torna a minha história tão ambígua.

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Hoje em dia, sinto-me mais feliz e equilibrada do que nunca.

Aprendi que entre o preto e o branco existe o cinzento e que não devemos ser “nem tanto ao mar nem tanto à terra”.

 

Já sou capaz de, por exemplo, desfrutar de uma refeição mais calórica e fora da rotina sem sentimentos de culpa, o que antigamente era muito difícil para mim.

Nessa fase, era demasiado rigorosa com a alimentação e tinha dificuldade em permitir-me sair da rotina, com medo de estragar o que já tinha alcançado.

Felizmente, compreendi que comida menos “fit” também faz parte de uma vida saudável, feliz e equilibrada.

Todas as semanas, normalmente ao fim de semana, faço uma refeição diferente, a chamada “cheat meal”.

Acho importante fazê-la, não só a nível físico (por auxiliar a acelerar o metabolismo, etc.), como principalmente a nível psicológico, evitando entrar numa rotina demasiado restritiva.

A restrição não traz nem nunca trouxe felicidade nem equilíbrio.

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Uma mensagem para vós…

Deem o primeiro passo e não desistam, nunca!

Acreditem SEMPRE em vocês porque, muitas vezes, as limitações estão apenas na nossa mente.

Não tentem mudar tudo radicalmente, comecem com pequenas alterações na alimentação, iniciem alguma atividade física (podem ser apenas caminhadas).

Com o tempo, os resultados começam a surgir e a motivação fica cada vez maior.

Desistir não é uma opção! Tornem-se na vossa própria motivação!

 

Se eu consegui, vocês também conseguem.

Nunca é tarde!

Lutem, agarrem-se ao desejo de mudar e não o larguem por nada! E

u não sou melhor que ninguém, tenho as minhas fraquezas e também quebro, por vezes.

Quanto à força que hoje tenho, encontrei-a em mim, num sítio que acredito profundamente que todos temos a nossa.

A vida muda na proporção da nossa coragem e, se queremos realmente, conseguimos!

Por muito apoio, motivação e incentivo que tenhamos por parte dos outros, é de NÓS que tem de partir.

A decisão de mudar pertence-nos, única e exclusivamente, a nós.

Esta é uma luta diária, com altos e baixos, mas tão compensadora e gratificante…

Aprendermos a cuidar de nós, a amarmo-nos um bocadinho mais a cada dia compensa tudo o resto… sobre isso não me restam dúvidas.

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Eu acredito profundamente que a força de vontade é o combustível dos nossos sonhos, sejam eles quais forem.

Se há aprendizagem que toda esta jornada me trouxe é que a nossa força interior consegue ser maior do que tudo.

prendi que nos dias mais cinzentos vamos buscar forças que nem nós mesmos sabíamos ter.

Hoje, acredito muito mais em mim e na minha capacidade para ultrapassar os obstáculos que a vida me coloca em cada etapa e tenho cada vez mais a certeza de que a dedicação, a persistência e a força de vontade tornam tudo possível.

 

Por isso, se têm um sonho, lutem por ele!

Com unhas e dentes! Custe o que custar!

O meu sonho realizou-se, ou melhor, fui EU que realizei o meu sonho!

Esta é uma jornada para a vida e sei que não a vou abandonar… porque eu não estou a fazer “dieta”, estou a viver um estilo de vida saudável sem data para terminar e pelo qual me apaixono a cada dia… sobretudo porque hoje me sinto outra pessoa, não só no corpo, mas na ALMA também… E isso não mudará, jamais.

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Quero agradecer, do fundo do coração, às pessoas que me apoiam tanto (tanto mesmo!), todos os dias.

Às pessoas mais próximas, ao meu nutricionista, aos profissionais do ginásio e aos seguidores do Instagram, que também tem sido fundamental.

Permitiu-me aproximar de pessoas que partilham a mesma paixão por este estilo de vida e mais do que uma rede social virtual, é uma verdadeira rede de apoio, motivação e inspiração.

 

Por fim, quero apenas realçar que a minha mudança foi o melhor que me podia ter acontecido.

Posso afirmar que me apaixonei completamente por este estilo de vida!

Encontrei nele uma alegria de viver que nunca antes senti e já não imagino os meus dias de outra forma.

Sinto que renasci e, sobretudo, que aprendi a amar-me e a cuidar de mim, de corpo e alma… e isso vale mais que tudo o resto.

Eu hoje sou profundamente feliz e sei, sinto e acredito que posso viver assim para sempre.

 

“Para sempre” é muito tempo? Talvez.

Mas eu estarei cá. Prometo, a mim mesma.

Uns dias mais forte, outros dias mais fraca, mas estarei cá… porque eu não perdi apenas peso: ganhei vida.

Uma vida que amo tanto, e cada vez mais!

 

Ana Margarida Machado

@bodyandsoul_anamachado

6 thoughts on “#Body and Soul

  1. Eu sigo o insta da Ana Margarida e é, sem sombra de dúvida, uma enorme inspiração! Costumo dizer que só queria metade da força que ela tem…!
    Tenho +/- 30kgs a mais e estou a tentar eliminá-los mas estou tão longe desse controlo e persistência…
    Beijinho para as duas *

    1. Força Ana!
      O mais difícil está em começar as mudanças e alguns hábitos.
      Quando te sentires a “fraquejar”, espreita a história da Ana Margarida.
      Impossível ficar indiferente! 😉
      Beijinho grande e estamos contigo nessa mudança!

  2. Vou acabar de escrever este comentário e vou treinar …
    Acho que hoje se deu o meu clique com esta história .

    Beijos no coração às duas

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