Eu mando na minha AR

#Eu mando na minha AR

AUTOR: @anamsaltyworld
EMAIL: arq.ana.salgado@gmail.com

 

NOTA @missFIT.insta:

[ Coração cheio…

Li o texto da Ana uma vez…

Li o texto da Ana duas vezes…

Li o texto da Ana uma terceira vez e pensei:

“Caramba, esta mulher é um verdadeiro exemplo…”

Ana, obrigada, do fundo do coração, pela tua partilha!

São estes testemunhos que me fazem sentir que o Blog faz todo sentido!

Que esta “abertura do Blog ao mundo” foi a melhor decisão que pude ter.

A tua história é inspiradora em todos os sentidos!

A tua garra e coragem são um exemplo para todas nós!

 

Minha querida, só te consigo dizer: #vaidartudocerto

Ana, 0 Blog é todo teu! ]

 

Eu e a minha AR, eu vivo com ela e ela comigo.

2010 foi o ano da notícia que mudou a minha vida…

 

Um dia acordas e deixas de conseguir pentear o cabelo, abrir a tampa da pasta dos dentes, carregar no comando do carro, abrir uma porta…

…estas tarefas que todos nós consideramos nossas por direito… eu aprendi que não são!

 

Sentes dor, sentes ardência, sentes que aquelas mãos, aqueles dedos não são os teus….

Eles estão inchados, deformados, estão horríveis…e tu simplesmente não sabes porquê …

Os anéis deixam de servir, não tens força, os pulsos doem, até o simples tocar te leva a um grito por dentro…

 

Foi assim…

Acordei assim um dia…sem saber o que era isto…

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AR… Sabem o que significa?

O diagnostico correto demorou a chegar…

Foram precisas muitas análises, mas o dia chegou e foi a primeira vez que ouvi falar em Artrite Reumatoide.

 

O primeiro pensamento?

30 anos e tenho uma doença dos velhinhos…

 

“Não Ana, não é uma doença dos velhinhos…, não é artrite e nem artrose…é a AR, doença crónica, degenerativa e auto-imune”

 

Disse a minha reumatologista, que ainda hoje me acompanha e que eu agradeço tudo o que fez e faz por mim!

 

Explicou-me como se faz às crianças…

“O teu sistema imunitário foi atacado por um bicho e ele virou-se contra o teu corpo.

E como está a tentar combater esse ataque, ataca as tuas articulações…”

Maldito bicho!

 

Cheguei a casa e fiz uma coisa que nunca se faz, pesquisa na net…

Mas aprendi imenso e li vários testemunhos e foi um abrir de olhos para um mundo novo que eu estava a acabar de entrar.

 

E sabem qual é a primeira coisa que aprendi com a AR?

Aprendi a pedir ajuda…

Muitos dias, até hoje e assim vai continuar… que eu preciso de ajuda para carregar sacos, arrumar livros numa estante, apertar o botão de uma camisa ou simplesmente abrir um garrafão de água.

 

E com a AR já aprendi muito mais…

Aprendi que precisas de medicação diária para conseguires ter o teu dia-a-dia de volta …

…e um dia-a-dia com um sorriso na cara…

… podes gerir alguma medicação, mas há outra que é “sagrada”… não falhas!

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Aprendi que tens que educar as pessoas no sentido de elas perceberem o que é esta doença porque ninguém nasce ensinado e teres paciência…

E cabe-me a mim, doente crónica, ensinar as pessoas o que é que significa ter AR!

 

Aprendi que as pessoas que te são mais próximas, as minhas pessoas como eu as chamo carinhosamente, vão sempre te perguntar como estás, e se tens dores, e tu tens que, com um sorriso na cara e mesmo sentindo dores, dizer que estás bem porque não vais estar sempre a dizer que sentes dor…

 

Aprendi a acordar e a adormecer sempre com dor…

 

Aprendi a adaptar-me a cada dia que amanhece e mandar eu no dia, e não ela, a AR

 

Aprendi a colocar-me em primeiro lugar …

…e os amigos, se são amigos, vão entender porque razão passas bem o dia e chegas à noite e faltas aos copos porque estas com dores ou cansada…

 

Aprendi a colocar o exercício físico como umas das coisas principais na minha vida, bem como acordar todos os dias bem disposta mesmo sentindo dor…

…é bom viver, muito bom!

 

Eu mando na minha AR

No inicio de 2016 tive uma crise muito grande e a medicação foi alterada…

Consegui fugir 5 anos dessa alteração mas tornou-se inevitável…

Passados meses, o organismo adaptou-se e hoje em dia, sinto dor mas sinto-me muito mais forte…

 

Treino 6x por semana (cardio e musculação), faço cycling, corrida, natação, aulas de total condicionamento, zumba e ainda tenho acompanhamento de pt 1x por semana…

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Se custa às vezes acordar as 7.30 da manhã, a chover, com dores e ir treinar?

Custa! Muito…

Mas sei qual vai ser a sensação no fim do treino e sei que a AR não me vai vencer nunca…

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Como se vigia/vive/controla a doença?

Análises, exames, alimentação, exercício físico e muita boa disposição…

 

Não mencionei a minha profissão de propósito…

Sabem o que faço na vida?

Sou arquiteta, sou professora, sou explicadora e sou “pasteleira” de hobbie…

Amo tudo o que faço, tudo envolve mãos (onde se situa a minha AR) mas faço tudo com determinação e foco, só assim é possível!

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Porquê a partilha da minha história?

Porque nós, doentes crónicos com doenças que não são visíveis fisicamente, somos muitas vezes conotados de preguiçosos, porque a nossa doença não é visível aos olhos das pessoas…

São doenças silenciosas, demasiado silenciosas…

E só porque eu tenho um sorriso na cara, não quer dizer que eu não estou a sentir dor…

…a dor está cá… sempre!

 

O meu lema de vida?

Eu mando na minha AR, eu é que decido se deixo que ela me deite abaixo ou não!

Eu mando…

 

Bem vindos ao meu mundo!

@anamsaltyworld

11 thoughts on “#Eu mando na minha AR

  1. Ana Teixeira says:

    Que exemplo de vida, que exemplo de pessoa. Parabéns pela força, e desejo que sempre seja assim. Um grande abraço apertadinho

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  2. Conceição Osorio says:

    Parabéns Márcia, ao partilhar a tua história estás a dar esperança e incentivo a muitos. Estou sempre para ti, já sabes, de❤️. .

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  3. Patrícia Pinto says:

    Adorei a partilha e o exemplo de determinação. Também sofro de uma doença auto-imune que me trouxe outras doenças associadas (tiróide, articulações e mobilidade em geral, que vou perdendo). Admito que dói cada vez que, por desconhecimento ou ignorância, algumas pessoas desvalorizem estas doenças. Mas também me agarro a isso para lutar, para não me deixar vencer, tal como a Ana. Venço cada dia, cada dia implica um esforço de não pensar no amanhã nem no negativo. Gravo pequenas conquistas no ginásio e na alimentação saudável. Quero que cada momento de vitória seja um exemplo para os meus filhos!

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    • Ana Salgado says:

      Patrícia, temos mesmo que ser assim…guerreiras! Dói sim ter pessoas à nossa volta que não percebem que o sorriso que temos na cara não é símbolo de uma vida perfeita…as dores estão cá e vão estar sempre mas nós somos mais fortes vamos à luta! Um beijinhos enorme 🙂

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  4. Ana says:

    Como eu entendo!

    Convivo diariamente com a “prima” da AR que é o bicho papão da psoríase articular, foram precisos 3 (LONGOS) anos para ter um diagnostico. Nesse tempo tentei tudo, tudo mesmo, convencional e menos convencional, fisioterapia, ultrassons, massagem, tratamento para acido úrico (a doença manifestou-se principalmente no pé e no cotovelo), meditação, reiki, infiltrações, osteopatia, florais…cheguei a ponderar a cirurgia. Sem saber o que era alguém que me dissesse que poderia fazer bem eu fazia!! Cheguei a tomar injeções de 3 em 3 dias para poder andar e trabalhar (vocês vão entender melhor que ninguém, trabalho em obra ando constantemente de um lado para outro).. todos dias acordar e meter o pé no chão era um pesadelo. Uns dias melhores que outros e adaptando os exercícios á dor do dia… Nunca deixei de treinar!!! (Com umas sapatilhas maiores porque não conseguia calçar o meu numero) .

    Quando descobri o que tinha também tive a sensação “tenho uma doença de velhos” mas sabes, até os “velho” só são velhos se quiserem! E hoje com medicação consigo fazer tudo, até andar e saltos altos 🙂

    Ana, muito obrigada pela partilha.
    Mariana, obrigada pelo tempo que disponibilizas neste blog que mostra que o exercício físico não é apenas #bumbumnanuca

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    • MissFIT says:

      Olá Ana,
      Mas que mulher guerreira que és!
      Fico mesmo sensibilizada com as histórias que vamos partilhando por aqui e pelos exemplos de vida que vou conhecendo…
      Para mim faz todo o sentido construir esta “comunidade” formada por mulheres com tanto valor, capazes de inspirar tantas meninas que me seguem.
      Um beijo enorme e obrigada pelo teu comentário tão sincero.

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