#CAMINHO: AMENORREIA – GRAVIDEZ

Tenho recebido muitas mensagens vossas sobre como foi todo o processo até engravidar.

Como já partilhei com vocês aqui no Blog, depois de alguns anos de treino exagerado, percebi que o meu corpo não estava bem, quando fui confrontada com períodos prolongados de amenorreia (ausência de menstruação).

https://missfitteam.blog/2018/12/02/equilibrar-a-rotina/

Precisei de “abrandar o ritmo”…
Abrandar a sério. E não foi um processo fácil. Precisei de algum tempo para admitir que estava a treinar em exagero e que se queria cumprir um dos sonhos da minha vida, tinha “sacrificar” a minha barriga “sequinha”.

Foi um caminho demorado.
Começou em 2016, quando percebi, pela primeira vez, que algo não estava bem, mas que rapidamente desvalorizei, e voltei às minhas rotinas de treino de sempre.
Em Dezembro de 2017, mesmo a tomar a pílula, não tive menstruação, e nessa altura voltei a preocupar-me com a questão e comecei a reduzir, efetivamente, os treinos.
Durante todos estes meses não tive menstruação.
O corpo demora a estabilizar e a recuperar o equilíbrio que lhe foi tirado.

Fui sempre acompanhada pela minha médica de família e pela minha ginecologista que me prescreveram um conjunto de análises e exames.
Todos os resultados estavam normais, com a excepção da creatinina que estava sempre um pouco acima dos valores recomendados.

A creatinina é um parâmetro usado para avaliar a função dos rins. Geralmente tem valores mais altos em atletas de alta competição, relacionado com o nível de exercício físico que praticam.
Cheguei, inclusivamente, a fazer um exame mais específico aos rins para despistar algum mau funcionamento, mas, felizmente, estavam a trabalhar perfeitamente.

Reduzi o número de treinos semanais, que passou em média para quatro dias por semana.
Reduzi (muito) a intensidade dos treinos de corrida, que passaram de treinos longos e em pista de preparação de maratonas a corridas tranquilas de, no máximo, 8km.
Tentei dar mais descanso ao meu corpo e dormir, no mínimo, 7 a 8 horas por dia.

Foram meses complicados, não minto.

Assistir aos treinos do meu grupo de corrida a prepararem-se para a Maratona onde me tinhas inscrito e não ia participar é duro.
Ver o P. a cumprir o plano de treino definido para os seus objetivos e provas e eu sem um rumo definido, sem me poder desafiar fisicamente, e isto, sobretudo, sem um prazo definido…

Mais difícil que abrandar, foi não saber durante quanto tempo o teria que fazer…

Em Setembro de 2018 menstruei pela primeira vez, de forma natural, sem a “ajuda” da pílula.
Foi uma vitória para mim.

No entanto, apesar do entusiasmo de que tudo estaria a voltar ao normal, a mudança de vida para Lisboa e as constantes viagens até estabilizar, finalmente, na capital, não ajudaram a manter o período regulado.
Voltei a ficar sem menstruar até ao final de Novembro de 2018, altura em que voltei à ginecologista para a minha consulta de rotina.

Como o meu corpo já tinha dado sinais de estar a normalizar, foi-me receitado um medicamento de estimulação dos ovários, para potenciar a libertação dos óvulos.
Voltei à consulta, 14 dias depois, já em Dezembro de 2108, para ser avaliada a eficiência da medicação e a médica confirmou-me que os meus ovários estavam cheios de vontade de trabalhar e que tudo estava bem encaminhado.

Não voltei a menstruar.
Só que desta vez, algo me dizia que podia ser por um motivo diferente.
Sentia o corpo modificado, o peito muito dorido.
Foi quando resolvi fazer o teste de gravidez em Janeiro de 2019, que me deu o resultado tão esperado! 🙂

Desde Dezembro de 2017, altura em que parei de tomar a pílula, que não utilizei mais nenhum método contraceptivo.
Era nossa vontade, minha e do P., sermos pais em breve e, por isso, decidimos em conjunto que íamos deixar a vida tomar o seu rumo de forma natural.

Para quem está em amenorreia e não quer engravidar, tem de ter todos os cuidados, porque apesar de, aparentemente, os ovários não estarem a trabalhar, o risco de haver ovulação quando menos se espera e uma consequente gravidez existe.

No meu caso acredito que resultou, não pela medicação, mas por todo o “trabalho de casa” que tinha feito, de reduzir o ritmo do dia a dia, de descansar mais, e de não ter medo que o meu corpo se transformasse.
Tal como vos mostrei aqui num Post em Dezembro de 2018 o corpo, com mais 10% de massa gorda, não muda assim tanto.

https://missfitteam.blog/2019/01/20/10challenge/

Estava com +/- 20% de Massa Gorda quando engravidei. E o mais engraçado, é que pelas contas, já devia estar grávida na última fotografia. : )

Para perceberem como nada é por acaso e que o nosso corpo tem sempre razão, mas análises sanguíneas que fiz no final do primeiro trimestre de gravidez, um dos parâmetros que a médica voltou a pedir foi a creatinina.
Adivinhem só. Pela primeira vez, em muitos anos, o valor estava dentro dos parâmetros “normais”.

Reduzir o exercício físico é reduzir mesmo! Número de treinos, intensidade, “abandonar” algumas metas e objetivos…
Demorei a aceitar isso, e durante algum tempo enganei-me a mim mesma.
Quem me conhece sabe que me custou. Mas a felicidade agora é tanta que tudo o que ficou para trás, faz sentido.

Eu sei que há imensas meninas na mesma situação.
Algumas a querer engravidar, outras apenas a tentar voltar a encontrar o equilíbrio.

Procurem sempre ajuda e apoio médico e especializado.
E abrandem! No treino, na vida, nas vezes em que acordam de madrugada!
O nosso corpo precisa de mimos e descanso, e não vale a pena tentar enganá-lo.

E acreditem sempre: “Vai dar tudo certo!”

Um beijinho enorme!
Mariana – @missfit.insta

One thought on “#CAMINHO: AMENORREIA – GRAVIDEZ

  1. Muitos Parabéns 🎉🎉
    Nós mulheres, infelizmente, sofremos muito com as hormonas, mas o importante é conseguir resolver os problemas de forma tranquila.
    Que seja uma gravidez calminha venha daí uma menina para fazer companhia ao Rodrigo 😊😉
    Beijinho 😘

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